Será que há desperdício de ração na sua granja?

Acesso aos comedouros deve ser perfeito para evitar sobras nos galpões. Metabolização correta dos alimentos facilita a absorção dos nutrientes

Custos de produção, metabolização dos alimentos e sustentabilidade 

Aumentar a eficiência alimentar dos suínos ajuda a diminuir os custos de produção de forma direta e indireta.  A pecuária brasileira vive o desafio de melhorar a metabolização da dieta dos animais, reduzindo o impacto ambiental dos sistemas de produção e facilitando a absorção dos nutrientes. Os trabalhos nesse sentido têm como objetivo diminuir os fatores antinutricionais.

Suínos: desperdício de milho, soja e nutrientes

Uma pesquisa desenvolvida pela  Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo avaliou os o custos e o impacto ambiental da ineficiência alimentar de suínos. A partir de coletas semanais de amostras dos efluentes de 80 animais, observou-se que 28,11% da proteína bruta e 41,32% do extrato etéreo consumidos foram excretados por animal durante o período de avaliação.  Um suíno consome, em média, 185 kg de ração dos 63 aos 147 dias de vida, o que significa um consumo de proteína bruta de 28,7 kg por animal no período.  Portanto, a excreção de proteína seria de 8,08 kg por animal. Um suíno, nesta fase, desperdiça o equivalente a 11,30 kg de farelo de soja e 38,54 kg de milho do montante consumido, além de outros nutrientes, como cálcio e fósforo.

Segundo informações da Embrapa Suínos e Aves, a nutrição corresponde a 80% do custo de produção do suíno. No Brasil,  os prejuízos associados à produção de suínos em 2019 atingem a ordem de 1,8 milhão de toneladas de milho e mais de 523 mil toneladas de farelo de soja excretados nos efluentes. E entre janeiro e maio de 2020, foram perdidos mais de US$ 178,5 milhões em farelo de soja e US$ 267 milhões em milho.

Quantidade não é sinônimo de qualidade

Em relação à as aves, as necessidades nutricionais têm como base os níveis energéticos dos regimes e dependem muito do patrimônio genético. O manejo da ambiência interfere diretamente no consumo de ração. Além disso, o consumo de ração é influenciado pelo teor de proteínas. Quando o teor proteico está ligeiramente abaixo do ideal, o consumo de ração tende a aumentar.

Palavra do especialista: manejo da alimentação

De acordo com o médico veterinário Otávio Conde, as aves precisam se alimentar bem por uma questão de saúde intestinal. Ele explica que é comum haver desperdício de ração dentro dos aviários na forma de alimentos esparramados pela cama, e que isso compromete o desenvolvimento dos animais. “O alimento deve estar no papo das aves ou dentro dos comedouros. Muitas vezes observamos a disponibilidade de equipamentos inadequados. Os pratos devem estar bem distribuídos e em quantidade satisfatória dentro dos aviários”, diz o especialista. Os comedouros devem estar localizados na área de recepção das aves e preenchidos por 90% de alimentos, para que, chegando aos aviários, os animais tenham fácil acesso ao alimento. “Sabemos que quanto maior o peso da ave aos sete dias de vida, maior será seu intestino o ao longo da vida produtiva e melhor será a absorção dos nutrientes”, diz Otávio.

É importante cuidar da quantidade e da altura dos pratos de ração nos aviários. “Na primeira semana o prato deve estar enterrado com 90% de ração, na segunda semana, enterrado com 70% de ração e, na terceira semana, o prato deve estar na altura do pescoço das aves para que não precisem esticar o pescoço. A quantidade de ração não deve ultrapassar os 30% para que as aves não desperdicem alimento”, orienta Otávio.

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