Operação Carne Fraca – tudo que você precisa saber

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira (17) a Operação “Carne Fraca” para combater o envolvimento de fiscais do Ministério da Agricultura em um esquema de liberação irregular de licenças para frigoríficos. Entre as empresas investigadas estão alguns dos maiores frigoríficos do Brasil, como BRF e JBS, dono de Big Frango e Seara Alimentos.

Aproximadamente 1.100 policiais federais estão cumprindo 309 mandados judiciais — 27 de prisão preventiva, 11 de prisão temporária, 77 de condução coercitiva e 194 de busca e apreensão em residências e locais de trabalho dos investigados. Também há ações de busca e apreensão em empresas supostamente ligadas ao grupo criminoso. A PF informou tratar-se da maior operação já realizada na história da instituição.

Entre os 26 presos preventivamente estão o vice-presidente da BRF, José Roberto Pernomian Rodrigues, o gerente de relações institucionais e governamentais da BRF, Roney Nogueira dos Santos, e o executivo do grupo JBS Flavio Cassou.

A PF detectou, em quase dois anos de investigação, que as superintendências regionais do Ministério da Pesca do Paraná, Minas Gerais e Goiás atuavam diretamente para “proteger grupos empresariais em detrimento do interesse público”.

Segundo a PF, os agentes públicos, utilizando-se do poder fiscalizatório do cargo e após receber propina, atuavam para facilitar a produção de alimentos adulterados, emitindo certificados sanitários sem que houvesse qualquer fiscalização efetiva.

Entre as ilegalidades praticadas, de acordo com a PF, “denota-se a remoção de agentes públicos com desvio de finalidade para atender interesses dos grupos empresariais”. Para os investigadores, essa conduta permitia a continuidade dos delitos atribuídos frigoríficos e empresas do ramo alimentício.

A pedido da PF, a Justiça federal determinou o bloqueio de R$ 1 bilhão em contas correntes e valores dos investigados.

Os pedidos de prisão preventiva e temporária, segundo o juízo, são justificados pela necessidade de cessação imediata das práticas criminosas adotadas pelos acusados como modo de vida, “de forma reiterada, permanente e contínua”.

Foram identificadas provas suficientes para enquadrar os acusados em crimes de adulteração de produtos alimentícios, associação criminosa, peculato, concussão, corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A operação de hoje descobriu um esquema de fraude na fiscalização a frigoríficos que seria liderada por empresários do Agronegócio e fiscais do Ministério da Agricultura.

Confira nota emitida pelo presidente da República, Michel Temer:

“Convoquei neste domingo reunião ministerial para tratar dos fatos relativos à segurança dos consumidores nacionais e internacionais no que concerne à qualidade das carnes produzidas no país.

Decidiu-se:

1 – acelerar o processo de auditoria nos estabelecimentos citados na investigação da Polícia Federal, 21 unidades no total. Três desses já foram suspensos e todos os 21 serão imediatamente colocados sob regime especial de fiscalização a ser conduzida por força tarefa específica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). É importante sublinhar que, de 11 mil funcionários, apenas 33 estão sendo investigados e que, das 4.837 unidades sujeitas à inspeção federal, apenas 21 supostamente envolvidas em eventuais irregularidades. Dos 21 apenas seis exportaram nos últimos 60 dias. Na sequência, o Mapa informará quais países receberam os produtos, quais foram eles e a origem por empresas. Ressalta-se: o objetivo da apuração não é o sistema de defesa agropecuário, cujo rigor é reconhecido, mas alguns poucos desvios de condutas;

2 – reiterar às missões estrangeiras que todas as plantas exportadoras permanecem abertas às inspeções dos países importadores e ao acompanhamento das atividades do sistema nacional de controle, um dos mais respeitados do mundo;

3  – reforçar a cooperação entre o Mapa e a Polícia Federal para apurar eventuais desvios no sistema de defesa agropecuária.

O governo federal reitera sua confiança na qualidade do produto nacional, que tem conquistado o consumidor e obtido aprovação dos mercados mais exigentes do ponto de vista de fiscalização e defesa agropecuária. O Mapa tem rigoroso serviço de inspeção de produtos de origem animal. Esse padrão de excelência abriu as portas de mais de 150 países, com permanente auditoria, monitoramento e avaliação de risco. Ademais disso, ao chegar a seus destinos, os produtos são também sujeitos à inspeção local.

Somente em 2016, foram expedidas 853 mil partidas de produtos de origem animal do Brasil para o exterior e apenas 184 foram consideradas, pelos importadores, fora de conformidade, muitas vezes por causa de temas não sanitários, como rotulagem e preenchimento de certificados.

Brasília, 19 de março de 2017.

Michel Temer, presidente da República”

Confira nota oficial do ministro, Blairo Maggi:

Diante dos fatos narrados na Operação Carne Fraca, cuja investigação começou há mais de dois anos, decidi cancelar minha licença de 10 dias do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O que as apurações da Polícia Federal indicam é um crime contra a população brasileira, que merece ser punido com todo o rigor.

Neste momento, toda a atenção é necessária para separarmos o joio do trigo. Muitas ações já foram implementadas para corrigir distorções e combater a corrupção e os desvios de conduta, e novas medidas serão tomadas. Estou coordenando as ações, já determinei o afastamento imediato de todos os envolvidos e a instauração de procedimentos administrativos. Todo apoio será dado à PF nas apurações. Minha determinação é tolerância zero com atos irregulares no Mapa.

Maggi garante controle de saída de produtos de frigoríficos

A partir de agora,  18 estabelecimentos citados em investigação da Polícia Federal terão a presença de auditores fiscais agropecuários, anunciou o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, ao deixar reunião no Palácio do Planalto, neste domingo (19), com o presidente Michel Temer, ministros de governo e embaixadores de países importadores de carne brasileira. “Nada sairá desses frigoríficos sem autorização expressa de nossos auditores, que trabalharão em regime de rodízio”, explicou o ministro, acrescentando que a medida se soma à interdição de outros três frigoríficos, já ocorrida na sexta-feira (17), data da Operação Carne Fraca.

A embaixadores, Maggi disse que “transparência é o melhor remédio nessa hora. Não se pode fazer absolutamente nada que não seja transparente, comunicar ao mercado tudo o que vem acontecendo e fazer as alterações que precisam ser feitas”. Na entrevista, o ministro anunciou que divulgaria a lista de empresas citadas na Operação Carne Fraca, para onde exportaram nos últimos 60 dias, em quais mercados chegaram e os produtos comercializados. “No levantamento inicial que fizemos, pouquíssimas empresas, entre as envolvidas no inquérito, exportaram nesse período”.

Outra iniciativa, disse o ministro, será o trabalho conjunto com a Polícia Federal. “A investigação terá amparo técnico, o que não houve até agora”. Blairo Maggi observou que não há laudos dos produtos que foram mencionados na investigação. “Quero crer que investigação terá, agora, outro rumo, aliado à ciência e ao conhecimento que temos”, informou.

“Estamos sendo rigorosos, efetivos e rápidos, sem passar a mão na cabeça de quem faz coisa errada”, disse o ministro, mas ressaltou que “99% dos produtores fazem a coisa certa”. O ministro também fez questão de explicar que houve problemas com o que chamou de narrativa do inquérito. “Sobre papelão, está claro, no áudio, que estão falando de embalagem e não de misturar na carne”.

Afirmou também que o uso de ácido ascórbico (vitamina C) e de carnes da cabeça de suínos são usados em embutidos, que isso consta nas normas do ministério, dentro de limites estabelecidos no mundo todo.

Blairo Maggi se referiu ainda a preocupação com a qualidade dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros e nos países importadores. “Estamos trabalhando fortemente para resolver esse assunto”. Lembrou que depois de sua chegada ao ministério editou portaria exigindo que a substituição de fiscais nos estados seja atribuição da Secretaria de Defesa Agropecuária e não mais de superintendentes regionais.

O Brasil é grande exportador de alimentos, detendo 7% do mercado mundial do agronegócio, observou Blairo Maggi. E a mesma inspeção a que os produtos são submetidos no país também ocorre no exterior, atestando padrões e a qualidade do trabalho feito por nossos fiscais, destacou, tratando o desvio de conduta de servidores, já exonerados, como minoria no universo de 11 mil funcionários do Mapa.

Em uma primeira reunião participaram presidentes de entidades do setor como da ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), Antonio Camardelli, da ABPA (Associação Brasileira da Proteína Animal), Francisco Turra, além do presidente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura), João Martins. Além de Blairo Maggi, estiveram os ministros, Moreira Franco (Secretaria Geral da Presidência) e Marcos Pereira (Indústria e Comércio Exterior) e o presidente da Apex, Roberto Jaguaribe.

Na segunda reunião, Temer e os ministros conversaram com embaixadores de países importadores de carne do Brasil. No fim do encontro, para atestar a confiança no consumo de carnes, o presidente da República acompanhou ministros e embaixadores a uma churrascaria da capital federal.

Confira abaixo, as opiniões de especialistas do setor sobre a Operação Carne Fraca, em entrevista para a Rádio CBN.

Pedro Eduardo de Felício, da Faculdade de Engenharia de Alimentos, da Unicamp,  acredita que o problema não está na carne, mas nos produtos processados, onde entram ingredientes não cárneos, aditivos usados normalmente e de forma legal na carne e que foram citados de forma distorcida, como o assobrado, por exemplo.

Além disso, Felício falou sobre a carne mecanicamente separada de frango, que é uma matéria-prima que barateia os embutidos.  “Ela tem que ser usada, mas em produtos cozidos e tem limites para ser usado. O noticiário ainda está muito complicado”.  Ele desmente boatos como o de papelão no frango, dizendo que é muito difícil isso acontecer, pois não entra no fluxo de produção. “A gente precisa saber onde foi”.  Ele afirma que escândalo não prejudica o país no mercado internacional.

Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura , disse que o problema acontece no processo industrial. Em entrevista ao Jornal da CBN, ele cobrou uma fiscalização mais rigorosa em toda a indústria de transformação, incluindo a criação de uma agência para essa tarefa.

JBS nega adulteração

A JBS confirmou nesta sexta-feira que a operação deflagrada pela Polícia Federal para desarticular uma organização que pagaria propina para a liberação de mercadorias sem fiscalização incluiu três unidades produtivas da companhia, mas afirmou que adota no Brasil e no mundo rigorosos padrões de qualidade.

De acordo com um primeiro comunicado da JBS divulgado mais cedo nesta sexta-feira, foram alvo de busca duas unidades que ficam no Paraná e outra em Goiás. Na unidade da Lapa (PR), a empresa informou que houve medida judicial expedida contra um médico veterinário, funcionário da companhia, cedido ao Ministério da Agricultura.

A JBS informou ainda que não há nenhuma medida judicial contra os seus executivos, bem como que sua sede não foi alvo da operação.

Já em novo comunicado na noite desta sexta-feira, a JBS afirmou também que “no despacho da Justiça, não há menção a irregularidades sanitárias da JBS”.

Porém, o juiz Marcos Josegrei da Silva, da 14a Vara Federal de Curitiba, responsável por autorizar a operação desta sexta-feira, afirma no despacho da operação que há “inúmeros indícios” de um funcionário do grupo “oferecendo/entregando a servidores públicos do Ministério da Agricultura produtos alimentícios e dinheiro em troca da emissão de certificados, sem a realização de fiscalização necessária à venda e exportação de produtos da empresa Seara Alimentos”. A Seara é uma das marcas do grupo JBS.

“A JBS e suas subsidiárias atuam em absoluto cumprimento de todas as normas regulatórias em relação à produção e à comercialização de alimentos no país e no exterior e apoia as ações que visam punir o descumprimento de tais normas”, afirmou a gigante de alimentos no primeiro comunicado.

BRF também nega adulteração

A companhia emitiu a seguinte nota:

A BRF informa que, em relação à operação da Polícia Federal realizada na manhã desta sexta-feira, está colaborando com as autoridades para o esclarecimento dos fatos. A companhia reitera que cumpre as normas e regulamentos referentes à produção e comercialização de seus produtos, possui rigorosos processos e controles e não compactua com práticas ilícitas. A BRF assegura a qualidade e a segurança de seus produtos e garante que não há nenhum risco para seus consumidores, seja no Brasil ou nos mais de 150 países em que atua.”

JBS e BRF perdem bilhões em um único dia

A operação da Polícia Federal Carne Fraca deflagrada na última sexta-feira (17) impactou as ações da JBS e da BRF. Os papéis fecharam em queda de 10,58% e 7,25%, respectivamente.

O mau desempenho na Bolsa ontem fez com que as empresas perdessem valor de mercado.

Segundo um levantamento realizado pela consultoria Economatica, a pedido de EXAME.com, a empresa dos irmãos Batista perdeu 3,456 bilhões de reais em um único dia, passando de 32,632 bilhões de reais na quinta-feira para 29,643 bilhões de reais na sexta-feira.

A BRF perdeu 2,31 bilhões de reais no mesmo período e fechou a semana valendo 29,317 bilhões de reais.

Ministério da Agricultura interdita frigoríficos e afasta 33 servidores

Três frigoríficos foram interditados e 33 servidores envolvidos na Operação Carne Fraca destituídos das funções que ocupavam no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), anunciou o secretário-executivo da pasta, Eumar Novacki. As medidas foram tomadas em função da operação desencadeada nesta sexta-feira (17) pela Polícia Federal, que investiga o pagamento de propina para obtenção de licenças sanitárias.

O secretário observou que o corpo técnico do Mapa é altamente qualificado e que o sistema de inspeção federal é robusto, sendo submetido a avaliações constantes, incluindo as de autoridades sanitárias estrangeiras por parte de 150 países importadores de carnes brasileiras. ‘Não vamos tolerar desvios e atos de corrupção. Estamos tomando medidas enérgicas em relação a servidores e empresas e compartilhando informações com a Polícia Federal e com o Ministério Público”, disse Novacki.

As intervenções do Mapa ocorreram no frigorífico da BRF de Mineiros (GO), de abate de frangos, e nas unidades da Peccin em Jaraguá do Sul (SC) e em Curitiba (PR), que produzem embutidos (mortadela e salsicha). Em relação aos servidores, estão sendo abertos processos administrativos.

“Cabe ressaltar que há processos que foram abertos já no passado, em fase de investigação, e que estamos dando todo o suporte à PF”, ressaltou o secretário. As primeiras denúncias do caso divulgado hoje ocorreram há quase sete anos e, há dois anos, foram iniciadas as investigações culminado com as prisões e conduções coercitivas”, acrescentou.

O secretário enfatizou que o Mapa não admite atos ilícitos e apoia integralmente quaisquer ações que visem coibi-los. Além de desenvolver ações próprias, assinalou, o Ministério da Agricultura tem parcerias com outros órgãos federais para fornecer dados, coletas oficiais de amostras, análises laboratoriais e resultados de ações fiscalizatórias.

Novacki admitiu preocupação com repercussão no exterior, observando que o Brasil é um grande player no mercado internacional do agronegócio. Mas ressaltou que as denúncias se referem a casos isolados e que o produto brasileiro tem reconhecimento no exterior. Ele lembrou ainda medidas adotadas no Mapa, desde que Blairo Maggi é ministro, como mudanças legais – entre elas portaria que impede a remoção de fiscais por parte de superintendentes regionais, sem motivação.

Repercussão na mídia internacional

Para o New York Times, o escândalo “lança dúvidas sobre a indústria do agronegócio no Brasil, um pilar relativamente firme da fraca economia do país”. O jornal ainda diz que a investigação é mais um “golpe” na economia brasileira, que tem “lutado para se recuperar de escândalos colossais na Petrobras, a companhia nacional do petróleo, e na Odebrecht, uma construtora gigante.”

O britânico Financial Times também levanta dúvidas sobre o futuro da indústria da carne no Brasil após o escândalo. “A investigação – que a polícia afirma ter envolvimento de fiscais da saúde e políticos do Partido do Movimento Democrático Brasileiro recebendo propina das empresas – vai levantar preocupações sobre a indústria da carne brasileira, que ascendeu na última década para se tornar uma das mais importantes do mundo”, afirma o jornal.

O britânico The Telegraph citou as acusações de corrupção para “manter a carne podre no mercado”. “Empresas brasileiras ‘subornaram fiscais para manter carne podre no mercado’ e se envolveram em investigação de corrupção”, dizia a manchete. O jornal também mencionou o possível impacto do escândalo na economia brasileira.

“As autoridades alertaram que o caso foi um duro golpe para a imagem internacional do setor de agronegócio brasileiro, com o qual o governo contava fortemente para ajudar o Brasil a se recuperar da pior recessão em décadas.”

“Ações da JBS fecharam na sexta em queda de mais de 11%, enquanto as da BRF caíram quase 8%”, pontuou a publicação.

Nos Estados Unidos, o assunto também ganhou destaque nos principais jornais. Além do New York Times, a CNN também falou sobre o caso, citando a “carne podre”, e o Washington Post ressaltou o esquema de corrupção.

“Brasil investiga gigantes de alimentos que estariam vendendo carne podre”, era a manchete do canal americano, enquanto a publicação da capital trazia: “Gigantes indústrias de carne do Brasil são alvo em investigação sobre corrupção”.

Papelão e substância cancerígena ou exagero? 

A BBC Brasil conversou com engenheiros de alimentos e especialistas em carnes para esclarecer o que pode e o que não pode ser adicionado no processamento de carnes e quais as preocupações que a investigação da PF deve despertar no consumidor.

Para alguns deles, a maneira como a operação foi divulgada acabou gerando uma desconfiança “exagerada” sobre a carne brasileira.

“A polícia agiu mal com a maneira como divulgaram tudo. Acho que houve um certo exagero, para precipitar a loucura que foi na imprensa ontem”, disse o engenheiro de alimentos Pedro Felício, da Unicamp.

A também engenheira de alimentos Carmen Castillo, da ESALQ – USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), ressalta que as empresas que fabricam produtos com carne devem obedecer estritamente à legislação, mas pontua que alguns ingredientes citados nas acusações, como o ácido ascórbico, são necessários para o processamento dos alimentos.

“Não é problema usar esses ingredientes, o problema é não respeitar os níveis permitidos”, disse. De acordo com a Polícia Federal, esse seria um dos delitos cometidos pelas empresas, que utilizavam ingredientes no processamento de carnes em quantidades acima dos níveis permitidos.

“Eles usam ácidos, outros ingredientes químicos, em quantidades muito superiores à permitida por lei pra poder maquiar o aspecto físico do alimento estragado ou com mal-cheiro”, explicou o delegado da PF responsável pela investigação, Maurício Moscardi Grillo, em entrevista coletiva na sexta-feira.

Mas alguns especialistas avaliam o modo como as informações foram divulgadas como “sensacionalista”.

“A divulgação da operação foi muito sensacionalista. Essa é uma questão pontual. Estou nesse mercado, estudando e trabalhando, há 30 anos. Uma das empresas que dirijo importava carne do Uruguai e da Argentinos até 2012. Hoje, 100% da carne que usamos é produzida no Brasil porque melhorou muito a qualidade”, afirma Sylvio Lazzarini, dono do restaurante Varanda Grill, em São Paulo.

Já Felício ressaltou a importância da investigação e disse que a operação revela um problema no setor, que “precisa de uma renovação no sistema de fiscalização”. Ele destaca, porém, que é preciso tomar cuidado com a “demonização” de ingredientes comuns na indústria de carnes, como o ácido ascórbico, “que é utilizado no mundo todo”.

Ao anunciar a operação, a PF mencionou que empresas envolvidas no esquema de corrupção “usavam papelão para fazer enlatados (embutidos)”.

Em uma das ligações telefônicas citadas no relatório da Polícia, funcionários da BRF falam sobre o uso de papelão na área onde produzem CMS (carne mecanicamente separada, comumente usada na produção de salsichas).

No áudio, é possível ouvir :

“Funcionário: o problema é colocar papelão lá dentro do cms também né. Tem mais essa ainda. Eu vou ver se eu consigo colocar em papelão. Agora se eu não consegui em papelão, daí infelizmente eu vou ter que condenar.

Luiz Fossati (gerente de produção da BRF): ai tu pesa tudo que nós vamos dar perda. Não vamos pagar rendimentos isso.”

Pedro Felício acredita que a referência ao papelão não foi feita como ingrediente para o processamento da carne. “Acho muito difícil isso ter acontecido. O que acontece é que tem áreas dentro das indústrias que são chamadas de área limpa, onde não podem entrar embalagens secundárias, como caixas de papelão”, diz.

“Na gravação que ouvi, duas pessoas falavam em entrar com uma embalagem de papelão na área limpa. Evitar papelão nessas áreas faz parte das boas práticas de manufatura, mas não fazer isso não é o mesmo que usar papelão dentro da salsicha.”

Em nota, a empresa BRF afirmou que “houve um grande mal-entendido na interpretação do áudio capturado pela Polícia Federal”.

A empresa afirma que um de seus funcionários falava que tentaria embalar a carne em papelão. O produto é embalado normalmente em plásticos.

“Na frase seguinte, ele deixa claro que, caso não obtenha a aprovação para a mudança de embalagem, terá de condenar o produto, ou seja, descartá-lo”, afirma Felício.

O ácido ascórbico –a popular vitamina C– também foi citado pelo delegado da PF como algo utilizado para “maquiar” o aspecto da carne.

“Eles usam ácido ascórbico e outras substâncias na carne pra maquiar essa imagem ruim que ficaria se ela fosse expostas dessa forma. Inclusive cancerígenas. Então se usa esses produtos multiplicados 5, 6 vezes pela quantia permitida pela lei para que não dê cheiro, e o aspecto de cor fique bom também”, disse Grillo.

A partir daí, muitas pessoas associaram o ácido ascórbico como sendo uma substância potencialmente cancerígena. De acordo com a OMS, ela pode contribuir com distúrbios gastrointestinais, cálculos renais e outros problemas de saúde se for consumida em excesso e por longos períodos de tempo, mas não há evidências de qualquer relação com o câncer.

Os especialistas alertam que o uso de ácido ascórbico em si na carne não é problema. “O uso dele tem benefícios e não é para mascarar carne adulterada. Ele tem uma função nas carnes processadas como antioxidante, ajuda a melhorar a estabilidade do sabor e reduzir o teor de nitrito residual. O nitrito é um aditivo para realizar a cura, que é uma etapa importante no processamento da maior parte dos produtos processados. Todo ingrediente não cárneo tem função a cumprir no processamento de alimentos”, afirmou Carmen Castillo.

Pedro Felício pontua que o ácido ascórbico “evita que a carne fique com uma coloração marrom” e que “isso é feito no mundo todo”.

A substância, segundo Felício, consegue mascarar a deterioração da carne no princípio, quando ela só tem algumas manchas, mas não quando o estado é mais avançado.

“A carne usada como matéria-prima não deve ter qualquer aditivo, nem o ácido ascórbico. Se a Polícia achou isso, não deveria acontecer”, diz.

A descoberta de que, no Paraná, alunos da rede pública estadual consumiram salsicha de peru sem carne de peru –preenchida com proteína de soja, fécula de mandioca e carne de frango– deu início à investigação de dois anos.

O uso de soja e de fécula de mandioca são comuns na produção de embutidos em todo o mundo, segundo os especialistas, porém é preciso respeitar as quantidades permitidas pela lei.

“É preciso observar as quantidades usadas, porque elas só podem ser usadas dentro dos limites da lei. Senão, você tem um produto de carne que tem predominância de matérias-primas não cárneas”, diz Felício.

Segundo a PF, fiscais teriam descoberto que frangos da empresa BRF, a maior exportadora de frango do mundo, teriam “absorção de água superior ao índice permitido”.

“Injetar água no frango é um problemão com o qual o Brasil vive e luta contra há muito tempo. Há oito anos que o Ministério da Agricultura é cobrado pelo Ministério Público que o frango não pode ter mais de 8% de água”, afirma Felício.

“É uma luta difícil. Eu não duvido que isso aconteça muito por aí, mas existe um esforço para combater.”

A prática não chega a ser prejudicial à saúde, mas altera o peso da carne. “É uma fraude econômica”, diz o engenheiro.

O uso da carne de cabeça de porco ou de boi em linguiças é discutido em uma das ligações interceptadas entre os sócios do frigorífico Peccin e é proibido no Brasil.

A utilização de cabeça de porco é admitida em outros países, segundo Felício. “Não será a melhor linguiça do mundo, mas não é prejudicial à saúde. Será um produto comestível, mas de categoria inferior.”

“No Brasil, essa carne é considerada como matéria-prima nas formulações de embutidos cozidos, como mortadela, mas não em linguiças, que são cruas.”

O consumidor deve se preocupar?

Segundo Sylvio Lazzarini, as irregularidades encontradas pela Polícia Federal devem ser punidas, mas não representam a totalidade dos produtos feitos no Brasil e vendidos em supermercados e restaurantes.

“A carne brasileira evoluiu muito nos últimos anos e é muito segura. Senão o Brasil não exportaria para os países asiáticos, e muito menos para os EUA, que tem um dos maiores controles fitossanitários do planeta”, diz Lazzarini.

Para o empresário, “irregularidades desse nível existem em todo o mundo porque bandidos existem em todo lugar”.

Para evitar problemas, Pedro Felício afirma que os consumidores devem sempre conferir se os estabelecimentos de onde compram carne vendem produtos com certificação de origem e de inspeção, de preferência federal.

“O que está sendo utilizado nos produtos está aprovado e discutido e é usado em outros países. Eu não acredito que essas acusações possam ser generalizadas, acho que é um problema localizado e o governo terá que resolver”, diz.

‘Operação criou discurso irresponsável’ sobre carne, diz presidente de associação – confira entrevista para Folha de São Paulo:

Ex-ministro da Agricultura e presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), que representa produtores e exportadores de carne suína e de frango, Francisco Sérgio Turra afirma que a repercussão da Operação Carne Fraca, deflagrada na sexta (17) pela Polícia Federal, foi “exagerada” e deu a impressão de que a carne brasileira é toda fraudada.

Folha – Há risco de enfrentarmos um problema de segurança alimentar?

Francisco Sérgio Turra – Não. Ao contrário, o Brasil está preparado para ser uma reserva de alimentos para o mundo. Estamos nos capacitando cada vez mais.

A operação colocou em dúvida a qualidade da carne produzida no Brasil. Como o setor planeja reagir?

O que tem de haver é um forte esclarecimento à população. Temos 99,5% do setor absolutamente em dia, oferecendo produtos saudáveis, dentro do padrão de conformidade aqui e lá fora. Nem 0,5% tem falhas.

As falhas detectadas pela operação precisam ser abolidas, os agentes envolvidos, punidos. Não é toda uma marca que está em jogo, não é toda uma empresa que está em jogo. São exceções pontuais envolvendo algumas marcas.

Não dá para a gente generalizar e vender a imagem de que tudo é ruim, de que tudo é corrupto, corrompido e corruptível. Para abrir mercado lá fora, a média tem sido de quase dez anos de luta. A maior injustiça do mundo é jogar na lata do lixo todo esse trabalho, denegrindo o esforço de muitos durante décadas.

A Polícia Federal identificou empresas oferecendo vantagens para afrouxar a fiscalização. Temos um problema no sistema de controle do país?

Há agentes do Ministério da Agricultura cumprindo seu dever e eles são a absoluta maioria. A imagem do Brasil, da proteína brasileira, é impecável lá fora. Temos 36% de toda a exportação mundial de frango. Exportamos carne suína para vários países.

Somos os maiores exportadores de carne bovina. É um absurdo nivelar tudo, generalizar, vender a ideia de que no Brasil nada presta, de que tudo é podridão, é errado, nada está na conformidade da lei. Quando é justamente ao contrário: somos o país que tem a melhor biosseguridade.

O que dá a certeza de que o sistema de inspeção funciona?

Além da proteção da nossa inspeção, somos submetidos à inspeção de vários outros técnicos de países importadores que vêm vistoriar o país continuamente. Esses acontecimentos atuais nos farão aprimorar ainda mais o nosso sistema de vigilância.

O senhor acredita que o estrago já tenha sido feito diante da repercussão da operação?

Os mercados lá fora questionarão e exigirão os esclarecimentos, mas acredito que estarão conosco tal é o conceito que o Brasil tem no exterior. Por exemplo: nós exportamos frango para o Japão e para a União Europeia e os americanos não conseguem entrar nesses mercados.

Vejo que o estrago está feito no sentido de que a imagem está arranhada e o mercado interno está cheio de dúvidas. Mas o fundamento nosso e a credibilidade se baseiam nas missões técnicas internacionais que vêm aqui, nos projetos de imagem, de trazer jornalistas de fora para conhecer nosso sistema e a cadeia toda.

No Brasil, para uma empresa se adequar à legislação, ela tem de cumprir a legislação ambiental, o codex alimentarius [conjunto de regras internacionais para produção de alimentos e segurança alimentar], estar em conformidade com todos os preceitos.

A PF investiga a BRF e JBS, mas a maior parte dos alvos são empresas de menor porte. A ABPA, em conjunto com a Abiec (produtores de carnes), já mapeou a fatia de mercado desses frigoríficos menores?

Na BRF e na JBS [donas das marcas Friboi e Sadia, respectivamente], trata-se de casos isolados. Não é a marca ou a empresa que falhou e praticou irregularidades. São agentes privados e públicos numa conivência criminosa, mas é algo bem pontual.

É uma amostra pequena, de uma ou outra unidade. A JBS tem 120 unidades no Brasil. A BRF tem 35. Aconteceu algum deslize e irregularidade em dois estabelecimentos aqui e um ali. Ou seja, é uma amostra muito pequena, um universo muito restrito dentro dessas empresas. Não se deveria macular a imagem delas. Matematicamente, é um absurdo condenar uma marca por isso.

No caso dos menores, a expressão é pequena. Não fizemos ainda esse mapeamento, mas diria diria com certeza que todos juntos têm fração extremamente pequena do mercado doméstico.

O Ministério da Agricultura trabalha com funcionários cedidos pelos frigoríficos. É regulamentado, mas não é um claro conflito de interesses?

Essa prática acontecia em maior escala no passado. Hoje já é até menor graças à luta toda. É uma prática que realmente não é bem-vista na União Europeia e em muitos mercados. Mas acontece, porque, para poder funcionar [a fiscalização], principalmente em regiões mais distantes, as empresas e os frigoríficos tiveram de ceder funcionários ao governo. Na ABPA, batemos muito na tecla da necessidade de ampliar o número de concursos para ficar menos promíscua essa relação.

O embaixador da União Europeia no Brasil falou da possibilidade de o bloco impor restrições à importação de carne. O setor deve sofrer sanções?

Acredito que a gente tenha argumentos sólidos para fazer com que isso não venha a acontecer. Mas é tão grande a generalização feita aqui no Brasil que atenta contra isso. Foi algo exagerado, dando a impressão de que carne brasileira é toda fraudada, nada é confiável. Foi muito forte esse discurso irresponsável, fruto de um levantamento ainda incompleto da própria operação [da Polícia Federal].

A operação é positiva. Nada contra ela, mas, na medida em que você deixa no ar algumas coisas, abre espaço para cada um tirar uma conclusão. Por isso, deveria haver um resultado rápido sobre quem errou e qual foi a prática e então punir os que estão envolvidos.

Qual o impacto para o Brasil caso a União Europeia decida restringir a importação?

Não é apenas o mercado europeu. É o efeito sobre os outros. A UE é referência. Nós exportamos para muitos países porque exportamos para a UE, que é um mercado exigente. Tem país que nem veio visitar o Brasil, mas você, se exporta para a União Europeia, eles dizem que então vão autorizar as mesmas unidades habilitadas pelos europeus.

Se tudo for posto agora e esclarecido agora, a sangria será muito menor e os esclarecimentos serão facilmente absorvidos. Quanto mais demorarmos para reagir, se esperarmos passivamente, mais prejuízo teremos. Temos de ser rápidos.

Os outros países produtores podem usar esse momento para bloquear a carne do Brasil ou tentar reduzir preços nas negociações?

Não acredito. Tenho segurança de que não vai haver retaliações. Dará trabalho, mas vamos reverter essa situação criada. [O estrago inicial] foi fruto de desinformação e de um equívoco.

Os encontros de hoje [domingo, 19] em Brasília mostraram que os representantes dos países que participaram da reunião com o presidente Michel Temer vão passar uma impressão de tranquilidade para seus países.

Investigações sugerem que partidos políticos foram beneficiados

Um telefonema entre o diretor de operações da BRF no Centro-Oeste, André Luis Baldissera, e Roney Nogueira dos Santos, gerente de relações institucionais da empresa, sugere que houve corrupção para beneficiar partidos políticos no Ministério da Agricultura no apagar das luzes do governo de Dilma Rousseff, no ano passado. Essa é uma das linhas de investigação da Polícia Federal na Operação Carne Fraca.

A conversa foi interceptada pela PF em 2 de maio de 2016, dez dias antes do afastamento da presidente. Nela, Roney dá a entender que Dinis Lourenço da Silva, fiscal-chefe do Ministério da Agricultura em Goiás, seria promovido a um cargo na cota do PTB. A ministra na ocasião era Katia Abreu, atualmente senadora pelo PMDB de Tocantins.

Segundo despacho do juiz federal de Curitiba, Marcos Josegrei, que autorizou medidas de prisão, condução coercitiva e buscas, Dinis Lourenço da Silva “viabilizou a manutenção em funcionamento de unidade da BRF de Mineiros (GO) cuja indicação era de suspensão das atividades”. De acordo com a PF, havia no local problemas causados por contaminação por salmonela.

O suposto esquema de propina também abastecia PMDB e PP, conforme a PF. “Dentro da investigação ficava claro que uma parte do dinheiro da propina era revertido para partido político. Caracteristicamente, já foi falado ao longo da investigação, o PP e o PMDB”, afirmou o delegado Maurício Grillo.

Em outra escuta da PF, o deputado federal e atual ministro da Justiça Osmar Serraglio (PMDB-PR) informa Daniel Gonçalves Filho, fiscal agropecuário e ex-superintendente regional do Ministério da Agricultura no Paraná – de 2007 a 2014 e de 2015 a abril de 2016, quando ele foi exonerado – sobre problemas que o frigorífico Larissa, pertencente ao empresário Paulo Sposito, em Iporã (PR), teria com a fiscalização. Serraglio telefonou para o fiscal, a quem se refere como “grande chefe”.

O fiscal promete “ver o que está acontecendo” para informar Serraglio. Gonçalves Filho então telefona para Maria do Rocio, contando a ela que o fiscal de Iporã quer fechar o frigorífico Larissa daquela localidade. Ele pede a ela que averigue o que está acontecendo e o informe a respeito. Segundo a PF, Maria diz ao fiscal que não há nada de errado no frigorífico, “informação esta depois repassada a Osmar Serraglio”, afirma o despacho judicial da Operação Carne Fraca.

“Sentimos que não havia crime por parte do ministro”, disse o delegado Grillo, que informou, ainda, que o conteúdo das gravações será encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR).

A aliados, o presidente Michel Temer, já garantiu que não há qualquer chance de o ministro Serraglio deixar o cargo, uma vez que ele foi apenas citado nas investigações. Assessores palacianos lembraram que a regra para afastamento de ministro estabelecida por Temer para a Operação Lava-Jatoseestendeparaessecaso.

Em nota, Serraglio realçou que a conclusão tanto pelo Ministério Público Federal quanto pela Justiça Federal é que não há qualquer indício de ilegalidade na conversa gravada no âmbito da Carne Fraca. Segundo prestação de contas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro recebeu R$ 200 mil à sua campanha à Câmara dos Deputados em 2014 da JBS, uma das empresas investigadas na operação. O valor foi doado ao diretório nacional do PMDB, que o repassou à campanha do Serraglio.

O PP e o PMDB, partidos apontados como beneficiários do esquema, divulgaram notas afirmando desconhecer o teor das denúncias.

Crise desnecessária

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Antônio Camardelli, avaliou hoje que a Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal na última sexta-feira, provocou uma “crise desnecessária” justamente no momento em que a indústria esperava uma recuperação das exportações brasileiras, após dois anos fracos nos embarques.

De acordo com Camardelli, que participou de coletiva de imprensa na sede da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o preço médio da carne bovina exportada pelo Brasil apresentava, nos últimos meses, trajetória de recuperação, e a demanda dos países produtores de petróleo, que são importantes compradores de carne, também sinalizava aumento, devido ao acordo de produção no âmbito da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

“A gente tinha perspectiva de recuperação, o preço médio começava a se recompor”, disse Carmardelli, lamentando a possível reversão desse cenário com a crise provocada pela Operação Carne Fraca.
Além disso, o presidente da Abiec também reconheceu que o processo de abertura de novos mercados fica prejudicada.

A entidade esperava que, depois da abertura do mercado de carne bovina in natura dos Estados Unidos no ano passado, outros países pudessem acompanhar os americanos. “Agora não temos praticamente certeza de nada”, lamentou.

Coreia do Sul banirá importação de carne de frango da BRF, diz agência

O Ministério da Agricultura da Coreia do Sul comunicou hoje que irá banir temporariamente a importação de carne de frango da BRF e que irá intensificar a fiscalização de produtos brasileiros.

O ministério sul-coreano afirmou que fornecedores brasileiros de carne de frango terão que enviar um certificado de saúde emitido pelo governo brasileiro. Mais de 80% das 107.400 toneladas de frango importadas pelo país em 2016 vieram do Brasil, sendo quase metade fornecida pela BRF.

União Europeia vai suspender empresas envolvidas no escândalo de carne no Brasil

A Comissão Europeia disse nesta segunda-feira (20) que está monitorando as importações de carne do Brasil e que todas as empresas envolvidas em um escândalo de carne terão acesso negado ao mercado da União Europeia temporariamente. O nome de nenhuma empresa foi citado.

“A Comissão garantirá que quaisquer dos estabelecimentos implicados na fraude sejam suspensos de exportar para a UE”, disse o porta-voz da Comissão Europeia Enrico Brivio em coletiva de imprensa regular.

De acordo com Brivio, a Comissão está ciente da contínua investigação no Brasil. “Assim que a história saiu, na sexta-feira, a comissão pediu esclarecimento e ação das autoridades brasileiras.”
Questionado sobre o tipo de carne envolvida na investigação – e que terá a compra suspensa -, o porta-voz afirmou que, de acordo com relatos iniciais, trata-se de frango, em sua maior parte.

A Comissão acrescentou que o escândalo da carne não terá qualquer impacto nas negociações em curso entre a União Europeia e o Mercosul, no qual os dois lados esperam chegar a acordos sobre livre comércio.

China suspende importações de carne brasileira

A China suspendeu temporariamente as importações de carne brasileira, de acordo com uma fonte ouvida pela agência Reuters. A medida foi tomada em decorrência da Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal.

A fonte, que pediu para não ser identificada por causa da sensibilidade da informação, afirmou que a suspensão das compras de carne brasileira é uma medida de “precaução”.

Chile

O Chile decidiu nesta segunda-feira o encerramento temporário de suas importações de carne do Brasil depois das revelações feitas pela Operação Carne Fraca, informou o ministério da Agricultura.

“O fechamento do mercado brasileiro de carne é temporário, até que eles informem se há frigoríficos autorizados a exportar para o Chile”, informou o ministro da Agricultura, Carlos Furche em sua conta no Twitter.

Fonte:Beef Point

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