Comportamento Organizacional e a saúde do colaborador: bem-vindo à selva!

Diante das mudanças que vêm ocorrendo no cenário empresarial, cada vez mais é exigido do trabalhador nível alto de conhecimento, técnicas avançadas e muito esforço intelectual, gerando mais problemas psicológicos, afastamentos e alta rotatividade. As metas impostas, prazos e melhorias de processos cobradas constantemente e incessantemente pela cúpula da empresa, tidas até hoje como sinônimo de sucesso empresarial, precisam ser revistas, estudadas e muitas vezes limitadas, dando atenção ao ser humano e sua capacidade única de produzir.

Compartilhamos uma era de hostilidade e competitividade acirrada no mundo empresarial que podemos comparar com a era paleozoica do planeta Terra ou a uma verdadeira selva, onde prevalece a lei do mais forte, lutando para sobreviver em um mundo cruel e sem piedade. Muitas organizações, preocupadas com resultados rápidos que a globalização exige, acaba negligenciando a importância do seu capital intelectual ao imporem medidas aparentemente necessárias, porém mal planejadas e muitas vezes exageradas, gerando resultados curtos e não constantes, onde a busca pela excelência é vivida como uma sina, transformando a empresa em um ambiente hostil, propício ao adoecimento psíquico.

Essa busca incessante por mais lucros e a correria do mundo moderno, acaba forçando gestores a utilizarem curtos caminhos na administração, precupando primeiramente com os processos produtivos e deixando de lado as pessoas, prejudicando o comportamento organizacional. Colaboradores sem treinamentos e desmotivados acabam tornando esse curto caminho em um “curto-caminho-longo”.

Como resultado, temos cada vez mais afastamentos por doenças psicológicas, acidentes de trabalho, alta rotatividade, roubos, sabotagem e baixa produção. Níveis de qualidade e produtividade são reflexos do comprometimento do trabalhador, portanto a competitividade de uma empresa está diretamente ligada a valorização que a mesma emprega em seus trabalhadores. Para atender bem o cliente externo, ela deve priorizar o interno, formando uma base para o sucesso continuado.

Mas como chegar ao sucesso em um mercado hostil e competitivo, valorizando os colaboradores sem prejudicar a saúde do colaborador e os lucros da empresa? Esse é o maior desafio dos administradores e gestores atualmente. Cada empresa é única e tem suas particularidades, assim como cada trabalhador tem suas necessidades e carências. Exatamente por isso não existe uma receita mágica e eficaz para todas as organizações, porém o estudo do Comportamento Organizacional ajuda a nortear uma linha de pensamento único, identificando o impacto que cada indivíduo e seus grupos têm no comportamento dentro da organização. São pequenas atitudes, muitas vezes corriqueiras, que tormam o ambiente de trabalho mais prazeroso e, consequentemente, produtivo.

Em termos práticos, é necessário que os interesses da empresa e dos colaboradores caminhem juntos, sendo uma via de mão-dupla. É obrigação da gestão informar a todos os colaboradores os objetivos e propósitos da organização e, por outro lado, saber identificar e compreender os objetivos dos indivíduos, únicos em cada empresa. Questionamentos, pesquisas de satisfação, consultas psicológicas, reuniões com grupos e setores da empresa são necessários para o começo do planejamento. A Gestão de Pessoal pode, com isso, colaborar para diminuir o nível de estresse, propondo transferências, treinamentos, aconselhamentos ou programas sociais que a empresa deve oferecer.

Esses apontamentos sinalizam a importância de planejamentos capazes de promover estímulos motivacionais, tais como: reconhecimento profissional, avaliação de desempenho, implantação de remuneração justa ou a possibilidade de remuneração por desempenho e planos claros para o crescimento na empresa. Apesar das Políticas de Gestão serem inconstantes e temporárias, a Gestão de Recursos Humanos deve ser planejada a longo prazo, valorizando a qualidade da mão de obra e as relações internas.

Por fim, o mercado exige cada vez mais comprometimento e com isso o ambiente empresarial vem se tornando cada vez mais nocivo à saúde física e psíquica do trabalhador. Metas, cobranças, punições, regras de comportamento rígidas não agregam valores ao desempenho da empresa e sua marca, firmando ela como impotente e mal vista no mercado, prejudicando sua imagem interna e externa.

Este artigo espera influenciar empreendedores para os estudos deste assunto e, caso pretendam firmar no mercado de forma competitiva, as coloquem em prática de forma séria, eficaz e responsável. Como dizia a Axl Rose, vocalista da famosa banda americana Guns N´ Roses, “Welcome to the Jungle” (Bem-vindo à selva).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

RIBEIRO, J (2008).Manual técnico do formando: comportamento organizacional. ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários e EduWeb

Fonte: administradores.com.br

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