Com disparada dos preços, camarão deixa de ser oferecido por bares e restaurantes

O valor do quilo, segundo produtores e empresários, chegou a aumentar até 200% em alguns meses

Comer camarão ficou mais caro e difícil em bares e restaurantes do Recife. Quem é bom observador deve ter notado que o produto sofreu uma disparada de preços desde o segundo semestre do ano passado, o que tem obrigado muitos estabelecimentos a informarem aos clientes sobre a falta do ingrediente em alguns pratos. O valor do quilo, segundo produtores e empresários, chegou a aumentar até 200% em alguns meses.

A responsável pelo baque no mercado é uma doença chamada mancha branca, causada por um vírus, que apesar de não afetar a saúde humana tem impactado o bolso dos consumidores que apreciam o camarão de diversas formas. Após atingir os criatórios em Pernambuco, o vírus chegou ao Ceará, detentor de 70% da venda de camarão no mercado brasileiro, e dizimou toda a produção em rápidos 30 dias, em junho de 2016.

“Até o camarão miúdo, usado em recheios, está em falta. O preço do quilo bateu R$ 69, em larga escala, mas houve períodos em que atingiu R$ 80, R$ 82, em uma quantidade menor comprada. Chegamos em um ponto que não podíamos mais comprar. O repasse dos custos ao consumidor é inevitável e os restaurantes especializados sofrem mais com a queda na produção e essa escassez”, revelou Marcos Vítor, franqueado da rede Spoleto, que colocou aviso informando aos clientes que estava sem o item no cardápio.

De acordo com a Associação Brasileira dos Criadores de Camarão (ABCC), o aumento médio no preço do quilo do camarão de 10 gramas, o mais usado pelo setor alimentício e cujo reduto da produção se concentra nos estados do Ceará e do Rio Grande do Norte, chegou a 65% no período no período de junho de 2016 e janeiro deste ano. Nos restaurantes, entre oferta e procura, o consumidor pagou, no mínimo, R$ 30 pelo quilo.

“O vírus chegou em Pernambuco e atingiu toda a produção. Os produtores passaram, então, a comprar o camarão no Ceará e Rio Grande do Norte e começaram a recuperação dos criatórios, cujo processo é bastante caro, com limpeza, lonas e desinfecção. Também houve um aumento de 55% nos custos de energia elétrica, ração, pós-larva e mão de obra, o que encareceu o produto”, explicou Itamar Rocha, presidente da ABCC.

O valor do quilo do camarão de 10 gramas manteve-se estável, em torno de R$ 10, desde 2011, de acordo com Maurício Lacerda, presidente do Sindicato das Empresas em Aquicultura e Indústria de Beneficiamento de Pescados de Pernambuco. Mas segundo ele, a especulação dos compradores também ditou o ritmo de aumento desde que a mancha branca chegou ao Ceará e o valor do produto atingir o pico atual.

“O vírus chegou muito forte e o camarão quando chegava a 3 gramas morria. Mas a carga viral foi reduzida com medidas de biossegurança e uma ração melhor e mais cara, com insumos comprados em dólar”, afirmou Lacerda.

Fonte: Diário de Pernambuco

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